Pular para o conteúdo principal

Contabilidade das PMES: Um instrumento de desenvolvimento.


Por Levi Gimenez


Em palestras realizadas sobre “Contabilidade das PMEs”, sempre salientado a obrigatoriedade de sua adoção, fica a interrogação nos presentes quanto a sua aplicabilidade, não em função do aprendizado proporcionado pelo CPC/PME porque a classe contábil sempre respondeu positivamente as mudanças e incertezas, mas porque os empresários/clientes não irão pagar mais por este serviço. 

Reconheço este como o maior desafio, entretanto, o principal ponto é apresentar a contabilidade como um instrumento para o desenvolvimento das PMEs, assim o valor adicional que o empresário pagará retornará em benefícios econômicos futuros. 

 Por outro lado, as PMEs ultimamente recebem ampla cobertura da imprensa, trabalhos acadêmicos e o SEBRAE realiza um trabalho sério em favor destas, contudo são iniciativas insuficientes para reduzir drasticamente os índices de mortalidade porque os gestores continuam reticentes quanto a contabilidade como instrumento útil e preferem entendê-la, erroneamente, como sinônimo de apuração de impostos e obrigações acessórias. 

Destaco uma iniciativa pioneira, que deve ser seguida por outras instituições e entidades de classe, no sentido de mostrar a contabilidade como instrumento de desenvolvimento, o V SEMEAC – Semana Estácio Atual Contábil, evento promovido pela Faculdade Estácio Atual, situada em Boa Vista – RR, contando com representantes do Conselho de Contabilidade, direção, coordenação, professores e alunos do curso de ciências contábeis e profissionais que lotaram o auditório do Palácio da Cultura. 

Na oportunidade asseveramos que a contabilidade realizada em observância a Contabilidade das Pequenas e Médias Empresas, isto é, seguindo o reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação, conduz a contabilidade com qualidade, entende-se dentro dos aspectos qualitativos das demonstrações contábeis, possibilitando melhores decisões aos usuários internos e externos, embora a Contabilidade para as PMEs tenha como objetivo:

Oferecer informação sobre a posição financeira (balanço patrimonial), o desempenho (resultado e resultado abrangente) e fluxos de caixa da entidade, que é útil para a tomada de decisão por vasta gama de usuários que não está em posição de exigir relatórios feitos sob medida para atender suas necessidades particulares de informação.

Destarte, a adoção da Contabilidade das PMEs envolve toda a empresa, não é uma decisão ou postura do contador de adotar determinado modelo contábil cabível à empresa, carecem do apoio da alta administração para a mudança de processos, normas e procedimentos. As demonstrações contábeis também refletem os resultados da diligência da administração, consecução de suas decisões diárias sobre os recursos confiados a ela e de sua responsabilidade.

Conforme demonstrou o estudo de Chen, Hope e Li (2009), em pesquisa realizada com 7.000 empresas, em 20 países: “encontramos forte evidência de que a qualidade da contabilidade afeta positivamente a eficiência do investimento”. As empresas abrangidas pela pesquisa estavam obrigadas ao IFRS Completo e melhor remuneraram seus investidores. A tendência é que aplicadas as pequenas e médias empresas podem ajudar a corrigir problemas que as conduzem a problemas financeiros ea descontinuidade, tais como:

- Falta de um bom gestor;

- Capital de giro insuficiente;

- Má utilização dos recursos de terceiros (banco e fornecedores);

- Ausência do pressuposto da entidade;

- Dividendos/retiradas incompatíveis com os resultados do negócio;
- Comportamento empreendedor pouco desenvolvido;

- Falta de planejamento;

- Falta de indicadores de desempenho empresarial.

A contabilidade como instrumento de desenvolvimento apoiará o empresário ou gestores em alguns pontos fulcrais para a continuidade das empresas:

- Reconhecimento, mensuração e controle de custos;

- Formação do preço de venda, ou acompanhamento quanto definido pelo mercado;

- Dimensionamento do estoque de capital e despesa financeira;

- Planejamento orçamentário;

- Avaliação de desempenho e controle do negócio

Para apoio do processo decisório precisamos contar apenas com o balancete mensal, planilhas auxiliares de custo, orçamento e preparação de indicadores chaves para o negócio. 

Não são instrumentos estranhos ao contador, contudo, cabe a este definir um modelo contábil que considere a entidade, mostrando adequadamente sua situação patrimonial e desempenho empresarial, ou considerar o negócio, mercado, recursos disponíveis, tamanho da empresa e o modelo gestão, isto é, como os proprietários conduzem a empresa. 

Com os conhecimentos oriundos da ciência contábil, da empresa e seu entorno temos condição de estabelecer o modelo contábil adequado e não mais podemos desculpar que devido ao tamanho da empresa ela “não comporta esta contabilidade”. A contabilidade das PMEs é simplificada justamente para atender as entidades menores. 

Os requisitos para apoiar o processo decisório na direção do desenvolvimento e crescimento da entidade são:

- Contabilidade realizada em observância a Contabilidade das PME´s;

- Contas contábeis devidamente conciliadas, principalmente bancos, clientes, fornecedores, receita e impostos;

- Reconhecimento e mensuração de ativos e passivos em termos econômicos;

- Reconhecimento e apropriação adequada dos custos.

Como visualizamos, temos e conhecemos, todos os instrumentos cabíveis para transformar conhecimento em desempenho positivo. A aderência às normas internacionais, através dos CPC´s, incluindo o das PMEs, iniciamos uma mudança cultural e de práticas contábeis, migrando de fiscalista para uma contabilidade baseada em princípios, direcionada aos usuários incluindo nestes os proprietários da empresa. 

Em verdade, ampliamos a volta às origens já que a contabilidade nasceu para atender os interesses do proprietário do negócio, apropriada pelo Estado, para fins de recolhimento de tributos, a partir do século XVII. 

Em síntese, temos a maior oportunidade dos últimos tempos de aumentar o reconhecimento à profissão e melhor remuneração, ao nos tornarmos parceiros do empresário e apoiar o crescimento de seus negócios, contudo convém lembrar as palavras de Martins, Diniz e Miranda (2012), na obra Análise Avançada das Demonstrações Contábeis, “o grande drama dessa mudança, dessa história toda não é conhecer novas normas, é a mudança de postura, mudança de comportamento”.

Fonte: Essência Sobre a Forma

Veja Também:


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sonegação não aparece em delação premiada, mas retira R$ 500 bi públicos

Empresário que sonega é visto como vítima do Estado OS R$ 500 BILHÕES ESQUECIDOS Quais são os fatores que separam mocinhos e vilões? Temos acompanhado uma narrativa nada tediosa sobre os “bandidos” nacionais, o agente público e o político corruptos, culpados por um rombo nos cofres públicos que pode chegar a R$ 85 bilhões. Mas vivemos um outro lado da história, ultimamente esquecido: o da sonegação de impostos, que impede R$ 500 bilhões de chegarem às finanças nacionais. Longe dos holofotes das delações premiadas, essa face da corrupção nos faz confundir mocinhos e bandidos. O sonegador passa por empresário, gerador de empregos e produtor da riqueza, que sonega para sobreviver aos abusos do poder público. Disso resulta uma espécie de redenção à figura, cuja projeção social está muito mais próxima à de uma vítima do Estado do que à de um fora da lei. Da relação quase siamesa entre corrupção e sonegação, brota uma diferença sutil: enquanto a corrupção consiste no desvio ...

SAT-CF-e: SEFAZ/SP muda sistema para a emissão de nota fiscal a partir de julho

O Emissor de Cupom Fiscal, aquela maquininha usada pelos lojistas para emitir a nota fiscal para o consumidor, em papel amarelo, vai, gradualmente, sair do comércio paulista. A partir do dia 1º de julho deste ano, cerca de 8 mil postos de gasolina e todos os comerciantes que possuem o equipamento com mais de cinco anos de uso serão obrigados a utilizar o chamado Sistema Autenticador e Transmissor de Cupons Fiscais Eletrônicos (SAT-CF-e), instalado em nova maquininha. A substituição é muito mais do que uma simples troca de equipamentos. O novo sistema vai permitir que a Secretaria da Fazenda paulista acompanhe diariamente a venda de uma loja, o que, para o fisco, é também uma forma de inibir a sonegação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). O SAT-CF-e nada mais é do que um equipamento homologado pelo fisco capaz de transmitir a informação de venda da loja para a Secretaria da Fazenda sem a necessidade de o lojista intervir ou formatar arquivos, como ...

SPED | As Luízas do SPED

Texto muito legal do amigo e mestre Roberto Dias Duarte. Não deixe de ler Alguns comemoram, outros lamentam. O decreto presidencial que criou o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) completou cinco anos neste primeiro mês de 2012. Em verdade, é uma legislação relativamente singela que define, basicamente, o que ele é e quem são seus usuários. Na prática, o que impacta na vida de todas as 6 milhões de empresas brasileiras (e dos 21 milhões de empreendedores “informais”) são os projetos do SPED, ou seja, a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), a Escrituração Contábil Digital (ECD) e a Escrituração Fiscal Digital (EFD), entre outros. Poucos se lembram, mas o SPED nasceu antes mesmo de sua “certidão de nascimento”, o Decreto 6.022, de 15 de dezembro de 2006. A Escrituração Fiscal Digital (EFD) do ICMS e do IPI foi instituída pelo Convênio ICMS nº 143. Em 14 de setembro de 2006, a primeira NF-e foi emitida e autorizada pela Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, com valid...