Pular para o conteúdo principal

País precisa de novo sistema tributário, diz economista

O país precisa de um novo sistema tributário. “Não dá para fazer reforma. Nosso sistema é obsoleto, lembra uma casa com vários puxadinhos, e o sistema vai ficando cada vez mais torto”, disse ontem José Roberto Afonso, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV), durante debate sobre reforma tributária promovido pela “Folha de S. Paulo”.
Afonso participou do evento ao lado de Bernard Appy, sócio da LCA e ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda, e Joaquim Levy, diretor-superintendente da Bradesco Asset Management.
Segundo Afonso, no âmbito federal começou-se a solucionar distorções com regimes especiais. “Passou-se a criar tantos regimes especiais, que não se sabe mais qual é o “regime normal”, afirma. “Falamos muito de guerra fiscal. Creio que os regimes especiais são primos próximos, ou quase irmãos, da guerra fiscal.”
Para Levy, uma reforma tributária precisa ser extremamente cuidadosa. “É preciso levar em conta os riscos jurídicos. Quando há uma mudança, há sempre o risco de uma medida judicial que pode comprometer a arrecadação. Num momento em que o governo tem preocupação com a performance fiscal, esse risco jurídico precisa ser levado em conta.” Segundo ele, uma maneira “maravilhosa” de se aumentar a carga tributária é dar a isenção no fim da cadeia nos casos de tributação sobre valor adicionado. Uma isenção no fim da cadeia impede o uso de créditos e há aumento de carga tributária.
Levy ressalta que as medidas tributárias precisam “medir as consequências”. Dá como exemplo a desoneração sobre a folha de salários. “Essa desoneração, que não é trivial, mudou a base de cálculo, que funciona em cascata, já que migra da folha de salários para o faturamento”, diz ele. Uma reforma tributária, segundo Levy, tem que ter objetivo claro, precisa ser simples conceitualmente e fácil implementação.
Para Appy, uma reforma tributária nem sempre leva a uma redução de carga tributária. Segundo ele, debate de carga tributária é debate de política fiscal, porque isso inclui o que se fazer com os gastos. O sistema tributário, diz, tem um objetivo,, que é arrecadação e o sistema também tem impacto sobre eficiencia tributária e sobre equidade e distribuição de renda.
Dentre as distorções do sistema atual, Appy destaca os tributos indiretos, que incidem ao longo da cadeia de produção e comercialização. Na verdade, é um tributo sobre consumo, diz. Num sistema tributário bem desenhado, afirma, não se tributa investimento, nem exportação, e sim consumo. “Para isso, os países costumam ter um imposto sobre valor adicionado. No Brasil temos o ICMS estadual, o ISS municipal e o IPI federal, que incidem de forma diferente e com áreas conflitantes”, o que, segundo ele, acaba gerando restrições em relação a créditos.

Fonte: tributario.net

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sonegação não aparece em delação premiada, mas retira R$ 500 bi públicos

Empresário que sonega é visto como vítima do Estado OS R$ 500 BILHÕES ESQUECIDOS Quais são os fatores que separam mocinhos e vilões? Temos acompanhado uma narrativa nada tediosa sobre os “bandidos” nacionais, o agente público e o político corruptos, culpados por um rombo nos cofres públicos que pode chegar a R$ 85 bilhões. Mas vivemos um outro lado da história, ultimamente esquecido: o da sonegação de impostos, que impede R$ 500 bilhões de chegarem às finanças nacionais. Longe dos holofotes das delações premiadas, essa face da corrupção nos faz confundir mocinhos e bandidos. O sonegador passa por empresário, gerador de empregos e produtor da riqueza, que sonega para sobreviver aos abusos do poder público. Disso resulta uma espécie de redenção à figura, cuja projeção social está muito mais próxima à de uma vítima do Estado do que à de um fora da lei. Da relação quase siamesa entre corrupção e sonegação, brota uma diferença sutil: enquanto a corrupção consiste no desvio ...

SAT-CF-e: SEFAZ/SP muda sistema para a emissão de nota fiscal a partir de julho

O Emissor de Cupom Fiscal, aquela maquininha usada pelos lojistas para emitir a nota fiscal para o consumidor, em papel amarelo, vai, gradualmente, sair do comércio paulista. A partir do dia 1º de julho deste ano, cerca de 8 mil postos de gasolina e todos os comerciantes que possuem o equipamento com mais de cinco anos de uso serão obrigados a utilizar o chamado Sistema Autenticador e Transmissor de Cupons Fiscais Eletrônicos (SAT-CF-e), instalado em nova maquininha. A substituição é muito mais do que uma simples troca de equipamentos. O novo sistema vai permitir que a Secretaria da Fazenda paulista acompanhe diariamente a venda de uma loja, o que, para o fisco, é também uma forma de inibir a sonegação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). O SAT-CF-e nada mais é do que um equipamento homologado pelo fisco capaz de transmitir a informação de venda da loja para a Secretaria da Fazenda sem a necessidade de o lojista intervir ou formatar arquivos, como ...

eSocial para empresas está mais de 95% concluído, afirma Supervisor do eSocial

O eSocial, que já faz parte da rotina dos empregadores domésticos desde 2015, também estará presente no dia a dia das empresas muito em breve, em especial dos departamentos de RH, uma das áreas mais impactadas. Em entrevista exclusiva à LG lugar de gente, maior empresa especializada em soluções de tecnologia para gestão de recursos humanos, Samuel Kruger, Supervisor do eSocial e Auditor da Receita Federal, conta como está o andamento do projeto, o que ainda falta ser concluído e qual a expectativa para que ele entre em vigor. Segundo Kruger, as datas para início dos testes e do projeto se mantêm e as empresas que fazem parte do grupo piloto já poderão ter acesso ao ambiente de homologação a partir deste mês. Confira a entrevista na íntegra! LG lugar de gente: O atual cronograma do eSocial está mantido? Ou seja, as empresas já podem se preparar para participar dos testes a partir de julho deste ano? Samuel Kruger: Sim! A partir de julho já deverá estar disponível para as em...