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O futuro chegou na contabilidade… mas o tempo não para.

Em seu clássico livro Teoria da Contabilidade, Hendriksen e Breda trazem um trecho que podemos classificar como  “profético”  sobre o futuro da contabilidade, o qual compartilho neste post. Logo depois confira um outro texto escrito pelo contador  e empresário da área de TI,  José Carlos Fortes, sobre o impacto da tecnologia na profissão contábil, mostrando claramente que a “profecia” de Hendriksen e Breda  de 1999 está se cumprindo nestes dias.

São dois bons textos para reflexão.

Mas vamos lembrar que muitas novidades tecnológicas ainda alavancarão o trabalho do contador. O tempo não para.

Vejam que interessante o primeiro texto:

O Futuro da ContabilidadeNos 500 anos desde que Pacioli escreveu seu livro, a contabilidade propriamente dita tem permanecido virtualmente constante. Pacioli se sentiria muito confortável com os sistemas contábeis que encontramos hoje. Sem dúvida, vários instrumentos financeiros o surpreenderiam, mas, uma vez que lhe fosse explicado que simplesmente representam novas formas de crédito a serem lançadas no lado direito do balanço, ele não teria dificuldade alguma.
Enquanto isso, porém, o mundo sofreu uma revolução informacional que deveria ter afetado a contabilidade de maneira dramática. Entretanto, tal como aconteceu na Revolução Industrial, tem havido uma defasagem entre as invenções e as aplicações. Os autores de livros-textos ainda explicam como os débitos ficam à esquerda e os créditos à direita, e ensinam aos alunos a técnica de subtração por oposição que se tornou obsoleta em aritmética três séculos atrás. A partir daí, os programadores procuram refletir fielmente essas ideias medievais nas telas dos computadores modernos. A contabilidade ainda está para tirar proveito das novas invenções que prometem revolucionar a divulgação financeira como hoje a conhecemos.
Em lugar de razonetes, haverá bases de dados das quais os dados financeiros serão apenas uma parte. Os administradores terão acesso imediato a essas bases de dados usando rotinas de busca apoiadas por sistemas especialistas. Uma versão simplificada dessas bases de dados será transmitida por linha telefônica aos usuários para transferência a seus discos compactos, que conterão algum pacote genérico de análise, incluindo menus que lhes permitam produzir o tipo de demonstração financeira que desejam. As empresas não precisarão escolher um método de reconhecimento de receita, por exemplo, mas serão capazes de oferecer uma variedade de métodos aos acionistas para suas análises. Gráficos dinâmicos de todos os tipos estarão disponíveis, permitindo aos usuários que acompanhem visualmente o crescimento da empresa numa tela. Haverá inclusão de hipertexto para que os usuários possam buscar o nível de informação básica apropriado para a análise que desejam fazer. Terá havido uma verdadeira revolução na contabilidade quando toda essa informação for acessível aos investidores. Tudo o que é necessário para transformá-la em realidade é aplicar a tecnologia disponível. (grifos nossos) (HENDRIKSEN e BREDA, 1999, p. 49, apud SILVA, 2014, p. 5)

Pois é, o futuro chegou. Confira o segundo texto, o de José Carlos Fortes, que além de contador é advogado, matemático, auditor e perito contábil. Professor, Especialista em Direito Empresarial, Administração Financeira e Matemática Aplicada. Mestre em Administração de Empresas

OLHANDO MAIS ADIANTE: CONTADOR DO FUTURO X CIENTISTA DE DADOS

O desenvolvimento tecnológico vem evoluindo em todas as áreas de forma tão rápida que não raras vezes, muitos não conseguem acompanhar as sucessivas etapas e saltos com que surgem as soluções do momento, qualquer que sejam as suas áreas de atuação. Fiquemos atentos, portanto, considerando que nas empresas e demais organizações em atuam os contadores, sobretudo como prestadores de serviços, muitas são as possibilidades que podem passar despercebidas para muitos.

Os inúmeros dados e informações que permeiam o ambiente contábil e econômico-financeiro das organizações, por exemplo, sobre clientes, mercados e empresas, podem gerar diferenciais competitivos na oferta de serviços para os mais preparados e com visão estratégica. Estes profissionais contadores-consultores atrelados a tomadas de decisão, podem alavancar as suas carreiras e as suas empresas de consultoria contábil, a partir dessas novas possibilidades.

No meu entendimento, muito em breve teremos cada vez mais acesso a integração de informações vindas de diversas fontes, tanto de bancos de dados internos quanto externo às organizações, possibilitando análises mais sistêmica dos negócios.

É aí onde eu antevejo que as perspectivas futuras no campo da análise de dados poderá ser um campo fértil para os profissionais contábeis de qualificação diferenciada, que poderão assumir o status de cientistas de dados junto às organizações.

Aqui convém destacar para àqueles pouco familiarizados com o tema, que, sob a ótica focada na Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), de forma superficial podemos definir os cientistas de dados como sendo profissionais cujas atribuições são orientadas a explorar os dados, desenvolver modelos através de tecnologias de Business Intelligence (BI), destinados a atendem às necessidades do negócio, gerando relatórios que possibilitem decisões mais assertivas por parte dos gestores.

Olhando mais estrategicamente para a atividade contábil, diante desse cenário não é exagero afirmar que o desenvolvimento tecnológico nos últimos, anos vem mudando e cada vez mais mudará radicalmente a forma das organizações lidarem com a produção e a análise dos dados na geração da informação como base para a tomada de decisões, em todos os níveis.

Essa nova realidade impactará enormemente e de forma positiva na atividade contábil, sobretudo por tratar-se de uma área cuja matéria-prima são os fatos e os dados, geradores de informações de repercussão econômica e financeira, possibilitado ao gestor o conhecimento efetivo da empresa.

Cada vez mais evolui a tecnologia que está sendo utilizada em larga escala, suportando e otimizando os serviços prestados pelos contadores e demais profissionais envolvidos com a contabilidade. Isso se materializa, por exemplo, por meio da automação de processos e rotinas das empresas contábeis e das demais organizações que se utilizam da contabilidade.

A agilidade no acesso e na transmissão das informações por meio da internet são exemplos de como a tecnologia vem ajudando os contadores, qualquer que seja a plataforma, inclusive nos dispositivos móveis que já começam a ser utilizados de forma profissional.

O relacionamento entre a empresa contábil e seus clientes, sobretudo na integração de dados, é uma das vertentes que vem avançando e elevará muito a produtividade dos profissionais. Neste campo, as empresas de softwares estão trabalhando e certamente, se bem desenvolvidas e implementadas essas soluções, os benefícios se farão presentes, incluindo cada vez mais agilidade e ganhos de produtividade para o setor.

Projetando o olhar um pouco mais a frente, e considerando que os contadores dispõe de enormes base de dados das suas empresas-clientes, além do acesso que vem sendo facilitado às novas tecnologias de Business Intelligence (BI), agrupando um conjunto de técnicas e ferramentas para a transformação dos dados brutos em análises e informações significativas e úteis para os negócios, entendo que os contadores passarão a assumir cada vez mais o papel de consultor, auditor e em breve, aqueles mais afeitos à matemática, estatística e a Tecnologia da Informação, atuarão como verdadeiros cientistas de dados para as organizações.

Fonte: Prof. Alexandre Alcantara

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