8 de ago de 2016

O fisco em ritmo de Lava Jato

Por Edgar Madruga
Por que o fisco age como cordeirinho frente aos políticos ou grandes grupos e é fera feroz quando se trata do cidadão comum? Ao ministrar aulas e palestras sobre temas tributários País afora, já ouvi questionamentos assim com frequência suficiente para considerá-los parte do senso comum nacional.

Tal percepção se deve, em grande parte, ao sigilo fiscal, que impede legalmente a publicação das empresas e pessoas fiscalizadas. Contudo, as prestações de contas oficiais dos fiscos deixam pistas que merecem ser consideradas. Os sites institucionais divulgam sistematicamente operações e relatórios de resultados da arrecadação, além do quanto é recuperado e de quais setores. Os números são excepcionais, acreditem.

Na Bahia, por exemplo, a atuação dos chamados “hackers fiscais” gerou um total de R$ 68,9 milhões em autuações baseadas numa única malha fiscal de 2016. Já em Goiás, cerca de 50 empresas foram autuadas por fraude tributária em cerca de R$ 100 milhões. Somente uma rede de fast-food nacional terá de arcar com R$ 8,5 mi.

A contribuição dos fiscos na Operação Lava Jato não fica atrás. A análise do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) de uma grande construtora levou à materialização de provas tão robustas que provocou um acordo de leniência (espécie de delação premiada de empresas) e a devolução de mais de R$ 800 milhões aos cofres públicos.

Ao final de 2015, as autuações vinculadas à Lava Jato atingiam R$ 1,42 bilhão. Outras 425 fiscalizações estão em andamento e a expectativa é de que R$ 10 bilhões ainda sejam lançados contra empresas e pessoas. Enfim, o fisco é ente de proteção à sociedade honesta, possui um caráter impessoal e republicano ao aplicar o rigor da lei a toda e qualquer pessoa, seja ela “forte” ou “fraca”. Insistir nos argumentos de impunidade é inocência, desinformação ou leviandade.

Edgar Madruga é coordenador do MBA em Contabilidade e Direito Tributário do IPOG.
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