Pular para o conteúdo principal

Cresce demanda por auditoria antifraude

Firmas de auditoria estão sendo cada vez mais procuradas por clientes para realizar um serviço conhecido como “investigação de fraude”. A regulamentação da Lei 12.846 (lei anticorrupção) e a deflagração da Operação Lava Jato, em 2014, tem aumentado a demanda por esse tipo de contrato.

Na BDO, que tem um departamento com 30 pessoas dedicado a fraudes, investigações e disputas a procura dobrou, segundo Carlos Dias, gerente da área de “digital forencsis” da firma. Para ele, o movimento tende a acelerar ainda mais daqui para a frente.

Antonio Gesteira, sócio-diretor de gestão de riscos da KPMG no Brasil, detecta o mesmo ritmo de aumento e concorda com a tendência de alta. A firma tem um departamento com mais de 100 pessoas dedicadas a esse assunto.

Na E&Y, a procura também aumentou. Fernando Palma, diretor executivo de compliance não diz quanto foi o aumento da demanda, mas o serviço aumentou com certeza: “Em fevereiro de 2014, quando comecei na firma, eram dois gerentes na área; agora são 14 e temos duas vagas abertas”. No total, há 140 pessoas na equipe.

Para ele, a publicação do Decreto Federal 8.420 vai dar um impulso extra na demanda. O decreto detalha a responsabilidade das empresas em fraudes. “E as multas tem sido cada vez mais altas”, diz. Entre outras coisas, o decreto estabelece que um departamento de compliance nas empresas — que cuida da integridade, auditoria e código de conduta — serve para atenuar a pena em caso de fraude.

Um estudo global da Association of Certified Fraud Examiners (ACFE) mostra que em 2014 o tipo de fraude que mais causou prejuízo às empresas foi a contábil, seguida por corrupção e depois, por roubos — ou “apropriação de ativos das empresas”. Este último é o tipo mais frequente.

Quase sempre o serviço de investigação é contratado porque donos ou sócios de uma empresa desconfiam de que algo anda errado: “Cerca de 80% deles estão certos. Mas nem sempre a fraude está ocorrendo do jeito e onde eles suspeitam”, diz Dias, da BDO.

O especialista lembra ainda que algumas vezes a suspeita aparece a partir de um serviço de auditoria de compliance — nesses casos, as firmas são contratadas para assegurar de que tudo na empresa está em conformidade com as regras — mas às vezes, em vez disso, descobrem o oposto.

A partir dos trabalhos de investigação realizados pela BDO no Brasil entre 2012 e 2014, foram identificadas fraudes cometidas por funcionários em conluio, que possuíam o poder em suas mãos mesmo estando em cargos baixos, e funcionários que ocupavam grandes cargos e possuíam a confiança da empresa. “Os controles e sistemas existem, mas a natureza humana se sobrepõe. Neste caso, fica mais difícil impedir”, diz Dias.

Palma, da E&Y, diz que estudos mostram que de 7% a 10% dos funcionários estão em uma empresa para cometer fraude — resta saber se vão conseguir ou não. “Somos contratados tanto para ‘estancar hemorragias’ — quando a fraude já ocorreu e o cliente quer ajuda para saber como foi feita e para-la; quanto para prevenção, detecção e resposta”, diz.

Dias, da BDO, explica que o método usado pela firma é composto de seis etapas: mapeamento dos processos da empresa, coleta dos computadores, preparação dos dados coletados, processamento, processo de revisão e background check (pesquisas online e mapas de relacionamento entre funcionários, clientes e fornecedores etc).

Dependendo do tipo de trabalho, a BDO envolve também outras metodologias e áreas especializadas como entrevistadores forenses, contabilidade forense, entre outras, diz Dias.

Gesteira, da KPMG, diz também que a criação de departamentos de “forencsis” — nome que o mercado de auditoria dá a esse segmento antifraude - começa a crescer dentro das próprias empresas. “Os clientes preferem tratar do assunto internamente, mas dependendo do caso é preciso recorrer às firmas terceirizadas”, diz. Para ele, a consciência de que é preciso punir e obter ressarcimento pelas fraudes sofridas está crescendo, “até para dar o exemplo e inibir novas fraudes”.

Quase sempre o assunto fraude é muito sensível e, além de perdas financeiras, envolve muito sigilo. “Certa vez fui de avião de São Paulo a Nova York e voltei no dia seguinte, só para entregar em mãos um arquivo com os resultados das pesquisas sobre fraude na empresa de um cliente”, disse uma fonte, que preferiu não se identificar. Inspeções realizadas de madrugada em computadores das empresas também não são incomuns.

Palma, da E&Y, diz que o compliance hoje precisa estar na agenda positiva dos empresários: “Ter um departamento desses será uma vantagem competitiva daqui para a frente. Muitos bancos, principalmente estrangeiros, não concedem empréstimos a empresas sem ele”, diz o especialista.

Fonte: Brasil Econômico via José Adriano

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

É possível aproveitar créditos de PIS e COFINS na aquisição do MEI?

Dentre as diversas dúvidas que surgem na apuração do PIS e da COFINS está a possibilidade de aproveitamento de créditos em relação às aquisições de Microempreendedores Individuais - MEI, uma vez que estes contribuintes são beneficiados com isenção, ficando obrigados apenas ao recolhimento de valores fixos mensais correspondentes à contribuição previdenciária, ao ISS e ao ICMS.
Neste artigo, pretendo esclarecer está dúvida e aprofundar um pouco mais a análise sobre o perfil do Microempreendedor Individual.
Quem é o Microempreendedor Individual?
Por meio da Lei Complementar n° 123/2006, que instituiu o Simples Nacional, surgiu a figura do Microempreendedor Individual – MEI, uma espécie de subdivisão do regime unificado, com o objetivo de trazer à formalidade pequenos empreendedores, para os quais, mesmo o Simples seria de difícil cumprimento.
Somente poderá ser enquadrado como MEI, o empresário a que se refere o artigo 966 do Código Civil, ou seja, aqueles que não constituíram sociedade…

AS 5 PRINCIPAIS CAUSAS DE ESTOQUE NEGATIVO OU SUPERFATURADO

O controle de estoque é um gargalo para as empresas que trabalham com mercadorias. Mesmo controlando o estoque com inventários periódicos as empresas correm o risco de serem autuadas pelos FISCOS, uma vez que nem sempre o estoque contabilizado pela empresa representa o seu real estoque. Partindo dessa análise pode-se dizer que as empresas possuem pelo menos três inventários que quase sempre não se equivalem. O primeiro é o inventário realizado pela contagem física de todos os produtos do estabelecimento. O segundo inventário é fornecido pelo sistema de gestão (ERP). Por fim, tem-se o INVENTÁRIO FISCAL que é o quantitativo que o FISCO espera que a empresa possua.

E COMO O FISCO CALCULA ESSE ESTOQUE?
O cálculo é feito pela fórmula matemática onde [ESTOQUE INICIAL] + [ENTRADAS] deve ser igual [SAÍDAS] + [ESTOQUE FINAL]. Ocorrendo divergências pode-se encontrar Omissão de Entrada ou Omissão de Saída (Receita). A previsão legal para tal auditoria encontra-se no Artigo 41, da Lei Federal nº…

O futuro dos escritórios de contabilidade

Ao buscar um profissional para integrar seus quadros, a Berti Contadores Associados recebeu três ex-proprietários de pequenos escritórios de contabilidade que desistiram de atuar por conta própria.
A situação reflete as dificuldades enfrentadas pelos pequenos empresários, diante da maior necessidade de conhecimento técnico e de gestão e investimentos em tecnologia, avalia o sócio da Berti e presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon), Mario Berti.
O cenário atual leva muitas empresas a buscar associações, parcerias, ou mesmo novos modelos de negócios. “Há associações para aproveitar a expertise de cada empresa e juntas atravessar essa turbulência de mercado”, afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo (Sescon-SP), Márcio Shimomoto.
As parcerias existem há algum tempo, as fusões estão acontecendo e as redes aumentam o número de filiados, confirma  o vice-presidente técnico do Conselho Federal de Contabil…