13 de mai de 2016

Queridos mestres da contabilidade

Lembro-me uma vez, bem no inicio da minha carreira, ainda estava cursando Ciências Contábeis, quando fui chamado para uma conversa, uma espécie de coaching, com o saudoso professor MasayukiNakagawa sobre a primazia da Essência Sobre a Forma, nome que atribuí posteriormente ao meu site. Na ocasião do encontro, me preparei para o tema. No entanto, após as apresentações e cumprimentos, ele me fez a primeira pergunta: “O que é Contabilidade?”, fiquei espantado, tentei responder gaguejando “É a ciência que estuda o patrimônio....”, ele me interrompeu e me entregou um cartão de visitas, na frente havia seu nome e no verso a seguinte frase:

“Contabilidade é a arte de registrar, classificar e resumir de maneira significativa e em termos monetários, transações e eventos que são pelo menos em parte, de caráter financeiro, e interpretar os resultados desta atividade (Kam, 1990, p. 33).”

Em seguida, ele explicou que o pensamento contábil é um estado mental, que resulta de nossa plena compreensão a respeito do que é contabilidade e sua aplicabilidade em nosso cotidiano.

A conversa prosseguiu, falamos sobre contabilidade, tributos, custos (seu assunto favorito) e, a partir daquele momento, comecei a estudar Contabilidade não apenas como um requisito acadêmico e/ou normativo, mas por amor à profissão.

Comecei a ler livros como Introdução à Teoria da Contabilidade do Professor Sérgio de Iudicibus e dei inicio a um amplo estudo sobre os Princípios Fundamentais da Contabilidade. Com Contabilidade de Custos do Professor Eliseu Martins comecei entender a significância dos custos na formação de preços. Por meio de Análise das Demonstrações Contábeis, do Professor José Carlos Marion evidenciei a importância das demonstrações contábeis na tomada de decisão empresarial. Já em  Estrutura e Análises de balanços, do Professor Assaf Neto  entendi a amplitude de uma análise de balanço, não me limitando a uma simples análise vertical e horizontal. Finalmente, não poderia deixar de mencionar o Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI, considerado, em minha opinião, o principal escrito de Contabilidade da atualidade. 

Tornei-me frequentador assíduo de palestras e workshops nas principais instituições da nossa categoria, assisti ao Professor Nelson Carvalho falar sobre “A nova contabilidade”e a Professora Izabel Costa Lourenço discursar sobre “Os impactos das normas internacionais na qualidade da informação contábil”, Clóvis Luiz Padoveze falar sobre “A importância da Controladoria” Luiz Fernando Nóbrega sobre “Os desafios da profissão contábil”, entre outas dezenas, ou centenas de eventos dos quais participei. 

Nas atualizações diárias do Portal Essência Sobre a Forma conversei, troquei emails e aprendi muito com os professores Ahmed Sameer El Khatib, Alberto Higa, Ailton Fernando, Adilson Torres, Eduardo Pardini, Geuma Nascimento, Levi Gimenez, Luciano Perrone, Sérgio Lopes e Theodoro Versolato.

As contribuições de todos estes mestres foram suporte para concluir minha graduação, evoluir profissionalmente no mercado de trabalho e ingressar em um curso de pós-graduação.

Na primeira aula do MBA, em IFRS da FIPECAFI fui recepcionado pelo inspirador professor Iran Siqueira, então presidente daquela entidade. Surpreendi-me com seu currículo, Mestre e Doutor em Controladoria e Contabilidade pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. Graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ e em Contabilidade pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal - AEUDF, além de ser Pós-graduado em Engenharia Econômica e Administração Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ e em Mercado de Capitais pela Fundação Getúlio Vargas – FGV.

Mesmo com todos estes títulos, o professor Iran nos recepcionou com uma humildade inigualável, uma voz calma e serena que me fez admirar mais ainda seu trabalho dedicado ao desenvolvimento e engrandecimento da ciência contábil.

Entre livros, artigos, palestras e números, descobri o lado humano da contabilidade, me tornei uma pessoa melhor, dotado de visão estratégica e sistêmica. Dei-me conta do quanto à proximidade destes mestres foram e são importantes em minha carreira.  O quanto aprendi, desde quando sentava em uma cadeira na faculdade, passando pela pós-graduação até a abertura da minha empresa contábil.

Dias atrás, ao refletir sobre os grandes mestres da Contabilidade, me deparei, em pensamento, sobre a magnitude das obras dos professores MasayukiNakagawa, Antônio Lopes de Sá e o professor Iran Siqueira Lima, que infelizmente não estão mais entre nós. Felizmente, estes deixaram o legado das suas obras, as quais representam parte de sua relevância para a ciência ou arte contábil. Mas, a pergunta que deixo é: qual será a próxima geração de grandes mestres da contabilidade? 

Vamos juntos!

Por: Ronnie de Sousa

Ronnie de Sousa é contador, MBA em IFRS, sócio da FREC Contabilidade e fundador do Portal Contábil Essência Sobre a Forma.

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