Pular para o conteúdo principal

Entrevista: O desafio do eSocial para as empresas de TI

Em entrevista ao RH Mais, Sergio Sgobbi, Diretor de Recursos Humanos e Competitividade da Associação Brasileira das Empresas de TIC (Brasscom), fala sobre os desafios que as fornecedoras de soluções tecnológicas estão enfrentando para atender os prazos estipulados para adequação ao eSocial.
LG Sistemas: Como as empresas brasileiras fornecedoras de Tecnologia da Informação estão se preparando para atender as demandas geradas pelo eSocial?
Sergio Sgobbi: Esse tema está nos preocupando sobre duas óticas: a primeira é que as empresas de TI, de forma geral, terão de se adequar como qualquer outra empresa. Porém, mais do que isso, elas terão que prover as soluções tecnológicas que irão atender ao eSocial. Em muitas reuniões que temos feito com empresas do segmento de TI, estamos chegando ao consenso que elas precisarão de, no mínimo, oito meses para fazer as soluções funcionarem. Contemplando nesses oito meses, o desenvolvimento, a implantação e a capacitação das pessoas para operarem os sistemas. Isso tudo, a partir do momento que o governo definir o leiaute e não mexer mais, porque a todo o momento essas informações estão sendo mudadas, o que interfere no prazo que as empresas de TI precisam para fazer os ajustes.
LG Sistemas: Em sua opinião, quais serão os principais desafios a serem enfrentados pelos fornecedores para conseguirem entregar as soluções tecnológicas que atenderão o eSocial?
Sergio Sgobbi: Hoje, o principal desafio das empresas de TI é receber uma resposta por parte dos órgãos que estão à frente das decisões do eSocial, de forma que suas dúvidas sejam esclarecidas. Essa é a primeira dificuldade, porque nós temos uma lista enorme de perguntas que ainda estão sem respostas. E, sem isso, a TI não consegue avançar.
LG Sistemas: Você acredita que os profissionais de TI que lidam com soluções voltadas para essa área trabalhista estão capacitados para atender a demanda ou ainda é necessário investimento em treinamento?
Sergio Sgobbi: Acredito que esse seja é um dos poucos requisitos que as empresas de TI estão bem cobertas. A legislação trabalhista brasileira é extremamente complexa e, ao longo do tempo, isso tem feito com que os profissionais se atualizem e busquem ser especialistas nessas questões. Então, quando eles se deparam com esse tipo de desafio, entendem o que precisa ser feito.
LG Sistemas: Você acredita que o eSocial irá facilitar o dia a dia da área de departamento pessoal e também da área de TI, que hoje é um dos maiores apoios do RH?
Sergio Sgobbi: Sim, o eSocial, na nossa visão, vem para contribuir com a sociedade como um todo. Com a centralização dessas informações, os relatórios serão mais confiáveis, porque um único órgão vai ficar responsável por ter essas informações e disponibilizá-las para a sociedade, o que hoje, é uma deficiência. Por exemplo, se você precisa buscar uma informação, é preciso ir até o Ministério do Trabalho, Receita Federal, Previdência, entre outros. Com a informatização, também haverá a padronização e desburocratização dos processos. Olhando a médio e longo prazo, isso reduzirá os custos das empresas com a burocracia, facilitando os controles e, no limiar, melhorando a competitividade das empresas.
LG Sistemas: Você acredita que, durante o processo de adequação ao eSocial, as empresas de TI terão que demandar dois tipos de serviço, ou seja, atender às obrigações atuais e em paralelo ao eSocial, até que esse processo seja concluído?
Sergio Sgobbi: Essa é uma preocupação nossa também. Pode acontecer de uma parte das obrigações começarem a serem feitas pelo eSocial e o CAGED, por exemplo, continuar sendo ofertado ao Ministério do Trabalho da forma como é feito hoje. Então, para evitar isso, nós estamos propondo de fazer essa entrega por fases e, assim, fazer a transição gradual dos sistemas e das informações para o governo.

Fonte: lg via Roberto Dias Duarte

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

É possível aproveitar créditos de PIS e COFINS na aquisição do MEI?

Dentre as diversas dúvidas que surgem na apuração do PIS e da COFINS está a possibilidade de aproveitamento de créditos em relação às aquisições de Microempreendedores Individuais - MEI, uma vez que estes contribuintes são beneficiados com isenção, ficando obrigados apenas ao recolhimento de valores fixos mensais correspondentes à contribuição previdenciária, ao ISS e ao ICMS.
Neste artigo, pretendo esclarecer está dúvida e aprofundar um pouco mais a análise sobre o perfil do Microempreendedor Individual.
Quem é o Microempreendedor Individual?
Por meio da Lei Complementar n° 123/2006, que instituiu o Simples Nacional, surgiu a figura do Microempreendedor Individual – MEI, uma espécie de subdivisão do regime unificado, com o objetivo de trazer à formalidade pequenos empreendedores, para os quais, mesmo o Simples seria de difícil cumprimento.
Somente poderá ser enquadrado como MEI, o empresário a que se refere o artigo 966 do Código Civil, ou seja, aqueles que não constituíram sociedade…

AS 5 PRINCIPAIS CAUSAS DE ESTOQUE NEGATIVO OU SUPERFATURADO

O controle de estoque é um gargalo para as empresas que trabalham com mercadorias. Mesmo controlando o estoque com inventários periódicos as empresas correm o risco de serem autuadas pelos FISCOS, uma vez que nem sempre o estoque contabilizado pela empresa representa o seu real estoque. Partindo dessa análise pode-se dizer que as empresas possuem pelo menos três inventários que quase sempre não se equivalem. O primeiro é o inventário realizado pela contagem física de todos os produtos do estabelecimento. O segundo inventário é fornecido pelo sistema de gestão (ERP). Por fim, tem-se o INVENTÁRIO FISCAL que é o quantitativo que o FISCO espera que a empresa possua.

E COMO O FISCO CALCULA ESSE ESTOQUE?
O cálculo é feito pela fórmula matemática onde [ESTOQUE INICIAL] + [ENTRADAS] deve ser igual [SAÍDAS] + [ESTOQUE FINAL]. Ocorrendo divergências pode-se encontrar Omissão de Entrada ou Omissão de Saída (Receita). A previsão legal para tal auditoria encontra-se no Artigo 41, da Lei Federal nº…

O futuro dos escritórios de contabilidade

Ao buscar um profissional para integrar seus quadros, a Berti Contadores Associados recebeu três ex-proprietários de pequenos escritórios de contabilidade que desistiram de atuar por conta própria.
A situação reflete as dificuldades enfrentadas pelos pequenos empresários, diante da maior necessidade de conhecimento técnico e de gestão e investimentos em tecnologia, avalia o sócio da Berti e presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon), Mario Berti.
O cenário atual leva muitas empresas a buscar associações, parcerias, ou mesmo novos modelos de negócios. “Há associações para aproveitar a expertise de cada empresa e juntas atravessar essa turbulência de mercado”, afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo (Sescon-SP), Márcio Shimomoto.
As parcerias existem há algum tempo, as fusões estão acontecendo e as redes aumentam o número de filiados, confirma  o vice-presidente técnico do Conselho Federal de Contabil…