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As empresas contábeis e a crise brasileira

Precisamos entender que o mundo contábil vem
passando por grandes transformações técnicas e
de mercado.
É indiscutível a crise que vivemos em nosso país, pouco dinheiro circulando no mercado, empresas fechando, negócios diminuindo de tamanho e falta de perspectiva para um futuro próximo. E aonde ficam as empresas contábeis nesse cenário?

Bom, precisamos entender que o mundo contábil vem passando por grandes transformações técnicas e de mercado. Nos últimos anos tivemos a entrada em vigor dos SPEDs, novas obrigações acessórias exigidas pelo fisco, procedimentos que devem ser refeitos, IFRS (padrão internacional de contabilidade) e por ai vai. Olhando por outro ângulo, temos também grandes modificações no mercado, tais como empresas se capacitando, operações se automatizando, entrada no mercado das contabilidades on-line, distanciamento da teoria par5a a prática, entrada de grupos internacionais nesse mercado, etc.

E a pergunta se repete, como ficam as empresas contábeis nesse turbilhão de emoções profissionais? É difícil saber o que fazer e como conduzir esse processo. Vemos mutos empresários contábeis, principalmente os pequenos, em uma grande dúvida de qual caminho seguir. Aumento o escritório (não gosto desse termo, acho empresa melhor), vendo para um escritório maior, faço uma fusão, diminuo de tamanho e consequentemente os custos. Não é fácil saber o que fazer. Inicialmente precisamos entender que o mercado das empresas contábeis, por tudo isso que comentei, estamos em uma fase de grandes modificações e ajustes. É um mercado conceitualmente tradicional e está se modernizando agora em uma velocidade incrível, pois passou muitas décadas com suas operações estagnadas. Vamos olhar o mercado como um todo, pois as empresas estão se profissionalizando e automatizando suas operações, para ter menos custos de operação e produção e uma maior eficiência no mercado. Lembro bem dos bancos na década de 80 que faziam investimentos gigantes para automatizar seus processos e exatamente olhando o mercado é que vamos saber para onde ir, que caminho tomar. Os empresários contábeis de uma forma geral (existem exceções) são muito tradicionais, até por conta da sua questão técnica, que nos obriga a ter uma visão conservadora para não corremos o risco do erro. Mas o mundo empresarial é diferente e nesse caso precisamos separar bem o profissional do empresário contábil. Essa discussão não é nova, mas vem mudando de caminho. Na década de 80, por exemplo, era a utilização de software ao invés a escrituração manual e os controles e descontroles por conta da alta inflação, em 90 a informatização efetiva e integração entre sistemas, em 2000 a integração entre setores e processos e neste momento, a virtualização. Então pensemos um pouco, porque automatizar, integrar e virtualizar se a contabilidade é a mesma em todos esses casos. Muito simples, pois a questão não é técnica, mas sim empresarial, de gestão. A diferença é ter maior velocidade, menor custo, reduzir riscos e consequentemente maior satisfação do cliente.

Atualizar uma empresa contábil e suas operações não é tarefa simples, principalmente se uma empresa está atrasada nesse processo. Mas isso é vital. Se alguém acha que vai permanecer no mercado com operações defasadas, é um engano. Olhe o mercado como um todo, as empresas de várias atividades que não modernizaram as suas gestões e operações, acabaram, e assim também acontecerá com as empresas contábeis. Não se desespere se estiver atrasado, somente terá que correr e se esforçar um pouco mais. Mas e agora, não tenho recursos e preciso atualizar minha empresa. Muito simples, volte a olhar o mercado em geral, as empresas em geral se fundem, compram, são vendidas, etc. O que será melhor, ser um gestor bem remunerado que uma organização forte e sólida, com bons rendimentos ou seu dono de um escritório contábil aos trancos e barrancos.

A opção de fundir várias pequenas empresas contábeis proporciona inúmeras vantagens, como reduzir custos, centralizar seus gestores nas suas melhores competências e otimizar processos. Existem vários casos de grande sucesso nessa área. Tenho vários amigos que fizeram essa operação e hoje estão muito bem. Já vi essas operações em todos os cantos do Brasil, Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Minas Gerais, entre outros estados. Muitas vezes vários empresários contábeis ficam presos às suas empresas, com discursos do tipo: Fui eu que fundei, comecei do zero, veio de família. Isso não é bom, pois todos esses discursos são limitadores de negócio e tornam a visão do mercado totalmente míope. Você não deve ficar olhando para dentro, saia do seu escritório, veja o que está acontecendo no mercado, leia mais, observe as outras empresas (contábeis ou não) e por fim não tenha medo de errar. Lembre-se o que número um de qualquer mercado erra muito mais que você, pois não tem um caminho já aberto pela frente, pois é ele que abre o caminho para o restante do mercado.

E a crise no nosso país. A crise é somente mais um obstáculo no nosso caminho empresarial. Esse ambiente de maior dificuldade, requer que tenhamos maior atenção, velocidade, criatividade e inovação. Muito cuidado com suas finanças e agora não é hora de se endividar. Baixar honorários tem sido uma constante, mas será que os seus custos estão compatíveis com essas reduções?

Por fim, seja criativo, inclua novos serviços que o seu cliente precisa, inove, seja arrojado e olhe sempre a movimentação do mercado. Tenho certeza que adotando essas práticas você vai ter sucesso nos seus negócios. Faça diferente.

Boa sorte!

por Helio Donin Jr

FONTE: Jornal Contábil via Roberto Dias Duarte

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