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Trancando os erros

Empresários brasileiros são os mais propensos do mundo a terceirizar os departamentos contábil e fiscal de suas companhias
Há quatro anos, um erro de interpretação do departamento contábil provocou um rombo de R$ 1,7 milhão nos cofres da fabricante de componentes de esquadrias Udinese, empresa pertencente ao grupo Papaiz, de São Paulo. “Perdemos metade do que tínhamos economizado no ano por causa de um detalhe na legislação”, diz a diretora Sandra Papaiz. Cansada de deslizes como esse, a executiva decidiu que era hora de proteger as companhias criadas há 62 anos por seu pai, o empresário Luigi Papaiz.
A solução encontrada foi terceirizar os departamentos contábil e fiscal da Udinese, e também os da fabricante de cadeados Papaiz, que faturam anualmente R$ 200 milhões. “Não foi uma solução barata, mas valeu a pena. Afinal, deixamos de pagar multas”, afirma Sandra. Assim como a Papaiz, mais e mais empresas têm estudado a terceirização de áreas como o departamento contábil. Segundo uma pesquisa da empresa de consultoria britânica Grant Thornton, obtida com exclusividade pela DINHEIRO, 53% dos executivos brasileiros têm intenção de terceirizar a área contábil.
O número chama a atenção, principalmente por ter ficado acima da média mundial, de 40%. A pesquisa foi realizada com 3.300 líderes empresariais, em 45 países. Até há pouco tempo, a terceirização era aplicada apenas em áreas distantes do negócio principal, como segurança e limpeza, mas agora departamentos cruciais como o contábil e o tributário entraram nessa lista. Entre as justificativas estão aumento da eficiência, redução de custos, acesso a profissionais mais especializados e maiores possibilidades de perenidade da companhia.
“Existia uma ideia errada de que terceirização significava perda do controle e de eficiência, mas agora os empresários veem que essa é a melhor saída para focar no negócio”, diz Denis Satolo, sócio da Grant Thornton. Foi exatamente isso que norteou a decisão na Papaiz, que passa por um lento processo de transformação desde 2002, com o falecimento do patriarca, que comandou o grupo familiar durante 50 anos. As mudanças vão desde o chão de fábrica até o balanço, que passou a ser auditado pela Deloitte. “Queremos estar à altura de qualquer empresa estrangeira”, diz Sandra.
“Por isso, precisamos ter uma manufatura enxuta com a filosofia da Toyota.” Ao todo, foram investidos R$ 25 milhões na aquisição de sete estações robóticas e na reformulação das imediações da fábrica de cadeados, em Salvador. O objetivo é que com a nova tecnologia a empresa consiga crescer 14%, em 2014. Além da terceirização, outra palavra que deve ficar mais freqüente no vocabulário do empresariado é compliance, termo inglês que se refere ao estabelecimento de processos que reduzem riscos, diz Satolo, da Grant Thornton.
Segundo ele, um dos motivos para o estrangeirismo entrar no dia a dia dos empresários é a Lei Anticorrupção, que está em vigor em janeiro deste ano. Segundo as novas regras, as empresas envolvidas em atos de corrupção contra a administração pública, nacional ou estrangeira, serão responsabilizadas criminalmente e correm o risco até de serem fechadas pela Justiça. Outra razão é a facilidade de criar novos e bons processos.
É o caso da Healwheel, multinacional que vende suplementos alimentares e produtos de beleza e bem- estar. A empresa polonesa, que está presente em 16 países, chegou ao Brasil no ano passado e pretende criar um modelo de regras de conduta para abertura de novas subsidiárias na América Latina. “Queremos mitigar riscos e isso é importante caso precisemos pegar financiamento em banco para fazer novos investimentos”, afirma Bruno Ahualli, responsável pela companhia no País. Nada como se proteger antes mesmo de cometer um erro.

Por Natália Flach

Fonte: ISTOÉ DINHEIRO via José Adriano.

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