Pular para o conteúdo principal

O receio de cobrar o honorário justo

Frequentemente somos questionados sobre a tabela referencial de honorários e sempre informamos aos nossos associados que não há amparo legal para a elaboração de uma "tabela". Mesmo porque nossos serviços possuem particularidades que não merecem ser tabeladas.

Ainda assim, em nome de um parâmetro de mercado, em 2011 as entidades contábeis de Santa Catarina contrataram um renomado Instituto de Pesquisas para que levantasse informações sobre as bases e valores de honorários em cada região e esta pesquisa tem sido atualizada anualmente e servido como referência àqueles que pretendem compreender o comportamento do mercado em sua região.

Muito além de um referencial de mercado, a valorização profissional passa por uma conscientização de toda a classe contábil sobre as responsabilidades inerentes ao profissional da contabilidade que estão estabelecidas no Código Civil e nas Resoluções do CFC.

Estamos próximos de um período de grande volume de trabalho, especialmente nas empresas de contabilidade. Os meses de março e abril são marcados pela Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física. É um momento onde nos é imputado o dever de auxiliar cada cidadão a prestar contas da sua renda e apurar os seus impostos, usufruindo dos benefícios concedidos em Lei.  E não são raras as vezes que vemos colegas assumindo essa responsabilidade a um custo incompatível com o conhecimento técnico exigível para tal atividade.

É do conhecimento público que há muitos anos a Declaração de Imposto de Renda das Pessoas Físicas deixou de ser o simples preenchimento de formulários e passou a exigir do contribuinte uma análise mais profunda das suas receitas, despesas e investimentos, a fim de possibilitar a redução da carga tributária, usufruindo dos benefícios Legais, sempre levando em consideração o cruzamento de informações entre a Receita Federal, instituições financeiras, imobiliárias, cartórios, operadoras de cartão de crédito e informações da remuneração paga pelas empresas independentemente do porte.

Esta complexa análise requer do contribuinte um profundo conhecimento da legislação tributária específica do IRPF e também de legislações acessórias, exigindo na maioria dos casos, o apoio do profissional de contabilidade. 

Neste sentido, necessário analisar a responsabilidade técnica que assumiremos durante cinco anos pelas informações ali transcritas que foram declaradas pelo contribuinte. Certamente seremos acionados administrativa ou judicialmente, caso alguma informação apresente inconsistência perante a Receita Federal e neste sentido sugiro a seguinte reflexão do colega leitor:

"O honorário que será cobrado neste ano, considera o investimento de tempo exigido do profissional da contabilidade na busca constante por atualização profissional e tecnológica, bem como a responsabilidade técnica assumida pelo trabalho desenvolvido?"

Se demonstrado o conhecimento técnico e a segurança no tratamento  das informações, certamente o cliente - sentindo-se seguro - não se negará a investir para ter a tranquilidade de uma prestação de contas eficiente e correta com o "Leão", seguro de que está pagando apenas o imposto efetivamente devido.

Fica, portanto, o questionamento e um desejo de bons estudos e bom trabalho a todos os colegas contadores e empresários da contabilidade. 

Por Fernando Baldissera

Fernando Baldissera é contador formado pela UFSC, Bacharel em Direito pela UNIVALI, empresário contábil há mais de 10 anos e Presidente do Sescon Grande Florianópolis.

Fonte: Contábil

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fisco notifica empresas do Simples para buscar quase R$ 1 bi em tributos atrasados

Serão cobradas omissões de 2014 e 2015
A Secretaria da Receita Federal informou que vai notificar nesta semana, por meio da página do Simples Nacional na internet, 2.189 empresas inscritas no programa para quitarem quase R$ 1 bilhão em tributos devidos. O alerta é fruto de uma ação integrada com fiscos estaduais e municipais.
Segundo o subsecretário de Fiscalização da Receita Federal, Iágaro Martins, as empresas serão notificadas quando elas entrarem no site do Simples Nacional para gerar a guia de recolhimento do imposto devido, procedimento que elas têm de fazer todos os meses. Antes de conseguirem gerar a guia, serão informadas pelo órgão sobre as divergências.
As empresas do Simples notificadas terão até o fim de setembro para regularizarem sua situação. Se não o fizerem até lá, os fiscos federal, estaduais e municipais envolvidos na operação avaliarão o resultado do projeto e identificarão os casos indicados para "abertura de procedimentos fiscais" - nos quais são cobra…

Contabilidade Digital

Iniciamos 2017 com algumas mudanças no Lucro Real como a obrigatoriedade de apresentação de assinatura de 02 contadores na retificação (correção) de registros contábeis de anos anteriores já enviados á Receita Federal pela ECD – Escrituração contábil Digital, que nada mais é que a própria contabilidade digital (Balanço, DRE, Balancete). E ainda caso a contabilidade seja considerada imprestável pelo Fisco será tributada pelo Lucro Arbitrado onerando um adicional de 20% no cálculo do IRPJ, sendo contabilidade imprestável aquela cujos registros contábeis não retratam a realidade financeira e patrimonial da empresa.
Diante deste cenário, vimos orientá-los de obrigações legais que as empresas devem estar atentas de forma a diminuir o risco tributário e não sofrer com penalidades do Fisco. Estamos numa era digital, onde o Fisco investe em tecnologia da informação ao seu favor para aumentar a arrecadação, fiscalização e combate a sonegação, bem como falhas dos contribuintes nos controles da…

Tese de que contador não se beneficia com sonegação faz empresária ser condenada

Em casos de sonegação fiscal, quem se beneficia é o empresário, e não o contador que supostamente teria cometido um ato ilegal. Foi essa a linha seguida pelo Ministério Público em um caso que acabou com a condenação, determinada pela 25ª Vara Criminal de São Paulo, de uma sócia de distribuidora de cosméticos por sonegação de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Segundo a denúncia, entre os meses de março e dezembro de 2003 a acusada inseriu números inexatos em documentos exigidos pela lei fiscal, causando um prejuízo ao fisco de aproximadamente R$ 1 milhão.
O juiz Carlos Alberto Corrêa de Almeida Oliveira afirmou que caberia à empresária manter em ordem livros fiscais e demais documentos que demonstrem a lisura das informações prestadas à autoridade fiscal e, diante disso, condenou-a à pena de três anos de reclusão – com início no regime aberto – e pagamento de 15 dias-multa, no valor mínimo unitário legal, substituindo a pena privativa de liberdade por duas r…