13 de out de 2013

Impostos: o dinheiro vai, mas nunca volta

Não há como fugir deles. Os impostos estão em todas as partes. Na hora das compras, ao ligar uma luz, abastecer o carro ou pagar a mensalidade da escola dos filhos. É muita taxa. Os automóveis são um exemplo claro da alta carga tributária. Um Gol GIV 1. 0 que custa, na concessionária R$ 28.504 tem, embutidos no preço, R$ 6.715,71 em impostos. Quer dizer, 23,5% do dinheiro pago no carro vão para o caixa do governo.
Para chamar a atenção sobre o quanto se paga de impostos, o Centro da Indústria do Espírito Santo (Cindes) Jovem promove, amanhã, no Feirão do Imposto, na Praia do Canto, a venda de um carro zero quilômetro por R$ 21 mil. O Gol 1.0 só poderá ser vendido por esse preço por conta dos descontos dos impostos. “A ação é para mostrar o quanto de impostos pagamos. O pior é que esse montante não volta para ele em forma de serviços”, explica o presidente Cindes Jovem, Duar Pignaton.
Cada brasileiro paga, em média, 41,08% de tudo o que ganha no ano em impostos. Em números absolutos, o governo arrecada cerca de R$ 54 mil em impostos a cada segundo. “Pegamos a arrecadação deste ano e dividimos por dias, horas e minutos para termos ideia de quanto pagamos. Em cada piscada nossa, entra R$ 54 mil nos cofres do governo”, explica o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), João Eloi Olenike.
Apesar de termos uma das maiores cargas tributárias do mundo – estamos entre os 30 países com maior taxação do planeta –, o Brasil continua sendo o que proporciona o pior retorno de valores arrecadados em prol do bem-estar da sociedade. Na prática quer dizer que o brasileiro está pagando ao governo por serviços de qualidade (escolas, saúde, infraestrutura) e recebendo um produto muito, muito inferior. No popular, é o famoso comprar gato por lebre.
Os números fazem parte do estudo Carga Tributária/PIB x IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), do IBPT, que faz uma comparação entre impostos pagos e o índice de retorno de bem-estar à sociedade. O estudo mostra, por exemplo, que o Brasil, com arrecadação altíssima e péssimo retorno desses valores, fica atrás, inclusive, de países da América do Sul, como Uruguai e Argentina.
Bolo
Cobrar essa conta não é tarefa fácil, já que os tributos vão tanto para o governo federal quanto Estados e municípios. Mas há endereços. “Os Estados recebem parte do IPI e do IR, por exemplo, e transferem parte do dinheiro para os municípios. Mas o governo federal prefere as contribuições, que não precisam ser divididas com os Estados. Quer dizer, os impostos, como Imposto de Renda e IPI, têm que ser divididos. Já as contribuições, como PIS e Cofins, ficam no bolso da União”, explica Olenike.
Mesmo quando há uma ilusão de boa vontade do governo, há o outro lado. Caso da redução do IPI. “Toda desoneração termina em oneração em outro setor. A Lei de Responsabilidade Fiscal aponta que cada vez que ocorrer renúncia fiscal será preciso apontar outra fonte de recursos para cobrir esses valores. No caso da queda de IPI, possivelmente houve aumento do imposto em outros produtos”.
O empresário também sofre, pois a tributação é altamente focada no faturamento bruto. “E quando eu vendo um produto, tanto posso ganhar quanto perder. Se tiver prejuízo, não interessa ao governo, que já recolheu os tributos. E essa alta tributação prejudica em cheio o consumidor, pois o peso dos impostos é colocado nos produtos”.
Essa falta de clareza de de onde vem e para onde vai o dinheiro é o principal alvo de reclamações. “ Hoje são mais de 70 impostos e taxas que incidem sobre o cidadão, do Imposto de Renda, que é retido na fonte, aos impostos sobre produtos e serviços, como iluminação e recolhimento de lixo”, disse Pignaton.
Feirão do Imposto
Quando: Amanhã, de 9h às 16h
Onde: na Praia do Canto, em Vitória, entre as ruas Chapot Presvot e Aleixo Neto
Consumidor paga, em média, 36% ao governo ao comprar medicamentos
A carga tributária inclusa no preço dos medicamentos também pesa no bolso do consumidor. Ela representa, em média, 36% do valor do remédio, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Em algumas compras, o tributo recolhido pelo governo equivale a quase um terço do total pago.
Rombo
Aos 80 anos, a aposentada Aura Cardoso gasta mais da metade do benefício com os remédios para diabetes e tireoide. Ela diz que do salário mínimo recebido da Previdência, cerca de R$ 400 ficam nas farmácias. Desse valor, calculando a média de 36% de impostos que incidem sobre os medicamentos, segundo o IBPT, cerca de R$ 144 são tributos.
“É muito dinheiro por mês. Mas a gente não tem outra alternativa a não ser comprar os remédios. Essa despesa é fixa, mas se por acaso surge qualquer outro tipo de doença o gasto é maior”, explica.
Para amenizar o rombo no orçamento, ela diz que conta com o apoio financeiro do filho nas despesas.
Por Fernanda Zandonadi

Fonte: A Gazeta via www.joseadriano.com.br

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