23 de ago de 2015

Goiânia na rota da inovação tecnológica

Empresários goianos contam como é empreender distante dos grandes centros

André Ramos, da Oobj, durante missão na Europa
Longe do eixo Rio-São Paulo, encravada no coração do Brasil, Goiânia abriga um movimento crescente de startups tecnológicas. Entre elas, a Oobj, de Hugo e André Ramos, que criaram o sistema Noov para rastrear medicamentos em toda a sua cadeia. Eles contam que o produto foi desenvolvido para atender a exigência da Lei 11.903, que prevê a rastreabilidade de remédios por meio de um Identificador Único do Medicamento (IUM), uma espécie de RG dos remédios, a partir de 2016.

“Já atendíamos clientes do segmento de medicamentos para os quais oferecíamos soluções de documento eletrônico. No ano passado, um deles nos procurou falando da exigência da lei de rastreabilidade e vimos que podíamos adequar um produto que estávamos desenvolvendo para rastrear os elos da cadeia produtiva de alguns clientes. Desde o início de 2015 esse cliente, que é um grande distribuidor de medicamentos, já usa a solução”, diz Hugo.

André conta que a rastreabilidade dos medicamentos será feita com a inserção de um código de barras bidimensional, chamado datamatrix, em cada unidade produzida. “Esse código pode armazenar milhares de informações como números, letras e outros dados.”

Segundo ele, a Anvisa assinou termo de cooperação com a Casa da Moeda, que será a instituição responsável pela produção e distribuição das etiquetas.

“A rastreabilidade tem como objetivo principal reduzir a falsificação e o roubo de medicamentos, assegurando que o paciente ou consumidor tenha um produto autêntico e seguro”, diz Hugo.

Segundo ele, todo o ciclo do medicamento será controlado, desde a produção até o consumidor final. “Como as farmácias terão de registrar o recebimento e a venda de cada unidade, e por elas terem pequena margem de lucro, a Oobj vai doar o módulo web do Noov para as 80 mil farmácias do País”, afirma. Com a solução, a Oobj espera conquistar pelo menos 500 novos clientes de um universo de 400 laboratórios e 2,5 mil distribuidores.

Quanto ao movimento de inovação, eles consideram que Goiás está atrasado em relação aos grandes centros. “Mas o governo tem incentivado a criação de startups por meio de fomento público concedido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado e está implantando parques tecnológicos na capital.”

André conta que há dois anos, o governo organizou uma missão formada por 30 empresas. “Fomos visitar parques tecnológicos europeus e trouxemos muitas informações para replicarmos aqui. Foram 15 dias intensos, de muito aprendizado.”

Na goGeo, especializada em soluções geoespaciais, o otimismo é grande para este ano. Em março, a empresa goiana lançou a plataforma BigData Geoespacial que, segundo o seu fundador, Vagner Sacramento, é 50 vezes mais rápida e cinco vezes mais acessível do que as concorrentes globais.

“Se uma imagem vale por mil palavras, um mapa vale por mil imagens. Ele contém muitas informações embutidas, é um mosaico formado por ruas, prédios, praças etc. A informação de negócio contextualizada geograficamente pode proporcionar insights que só são possíveis ao olhar para as informações contidas em um mapa”, diz Sacramento, que é Phd em ciência da computação.

Segundo ele, com a ferramenta é possível monitorar por meio do  twitter, por exemplo, quais são os pontos mais quente quando está havendo protestos pelo País. “Já os bancos, seguradoras e empresas de pagamentos digitais poderão acompanhar geograficamente os dados transacionais de seus clientes para detectar fraudes, analisar risco e entender o perfil dos clientes, entre outros benefícios”, diz.

O empresário conta que a meta da empresa é faturar R$ 1 milhão em 2015 e R$ 5 milhões no próximo ano. “Em cinco anos pretendemos ser a plataforma com maior receita da América Latina na área de geotecnologia, faturando R$ 75 milhões.”

Sacramento diz que o que faltou para ele em Goiânia foi ter tido mentoria qualificada para ajudá-lo a estruturar a estratégia de entrada da goGeo no mercado. “Passamos por um processo de trabalho muito árduo para desenvolver a inovação, depois, não sabíamos como entrar no mercado. Recentemente, o consultor Allan Pires fez um investimento anjo na empresa e passou a ser nosso mentor.”

Almir Firmino, fundador da Zummm


Já consolidada, a empresa Decisão Sistemas, que oferece software de gestão para os segmentos de factoring, cobrança extrajudicial e securitizadoras, foi fundada pelos sócios Almir Firmino e Valcio Leão, em 1989.

No início deste ano, porém, os sócios lançaram a Zummm – Agência digital de cargas e fretes. “Pesquisando o mercado notamos que onde tem caminhoneiro não tem carga e vice-versa. No País, temos dois milhões de caminhões. Destes, 800 mil são de transportador autônomo. Eles têm dificuldade para arrumar carga, e quando arrumam, 50% das vezes retornam vazios”, diz Firmino.

Ele conta que a ferramenta só não foi lançada antes porque grande parte do Brasil não tinha cobertura de internet e 3G. “Nosso lema é não volte vazio e nem fique parado.” A empresa conta com três mil embarcadores cadastrados e 80 mil transportadores. “Fechamos cerca de 100 transações por dia.”

Firmino conta que as startups da região contam com o apoio da Comunidade Tecnológica de Goiás (Comtec). “Ela tem feito ações coordenadas com empresas privadas, governo e prefeitura para fomentar as empresas de tecnologia.”

Allan Pires, consultor de São Paulo fez plano de crescimento e
orientou empresas na implantação de indicadores


‘Faltava saber replicar soluções em alta escala’

Como se aproximou das startups de Goiânia? 

Em 2007, os diretores da Comunidade Tecnológica de Goiás (Comtec) me procuraram para pedir que eu fizesse um plano de negócios para oito empresas de tecnologia de Goiás. Durante o trabalho, percebi que algumas empresas tinham potencial de crescimento muito interessante. Então, também criei um plano de crescimento que abrangeu estudo real do potencial de cada uma delas e se estavam aptas para crescer – se não, o que deveriam mudar. O plano ajustou o modelo de geração de valor, venda de solução no mercado e captura de imagem, que envolve precificação e benefícios das ofertas de maneira a fazer com que o próprio mercado olhe e queira fechar negócio pelo valor agregado.

Como isso é possível?

Analisei se os processos estavam sendo bem realizados e se as melhores pessoas estavam nas posições certas. Foi necessário educar as empresas e mostrar quais indicadores que mais atraem o mercado.

Você também é investidor?

Sim. Cito a goGeo, uma startup goiana que desenvolveu uma plataforma única de geoprocessamento de Big Data como exemplo. Acabamos de anunciar um investimento de R$ 5 milhões, que serão divididos em duas rodadas.

Como é o ambiente inovador em Goiânia?

Me chamou a atenção a capacidade da região em empreender, mesmo sem estarem vivendo em uma grande capital. Os inovadores desenvolveram competências para superar os obstáculos e foram responsáveis por unir o conhecimento tecnológico e a definição da necessidade do potencial cliente, ou seja, adquiriram um conhecimento profundo do que o mercado realmente precisava, já que o ambiente não era típico para a tecnologia da informação. A partir disso, surgiu a criação de soluções que atendiam o mercado. A única coisa que faltava era saber replicar essa solução em alta escala. Foi neste momento que entrei para ajudá-los como consultor. Além disso, quando uma empresa cresce, indiretamente acaba impulsionando outras a crescerem também pelo exemplo e pela forma de gestão.

E a mão de obra?

A região tem boa formação de mão de obra e excelente qualidade de vida, ou seja, é fácil manter os profissionais.

As startups têm apoio?

A aproximação da comunidade tecnológica com o governo estadual tem criado iniciativas que propiciam o desenvolvimento de startups, principalmente em termos de financiamento de pesquisa.

A cidade tem aceleradoras e incubadoras?

Tem incubadoras, como a da Universidade de Goiás, mas é carente de aceleradoras.

Há investidores anjo?

Sim, mas precisa crescer. A modernização das empresas tem atraído empresários, mas esse movimento está em estruturação. O que também precisa crescer é a aproximação entre startups e os fundos de investimento, que são muito concentrados em São Paulo.

Fonte: Estadão

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