12 de mar de 2014

Goianos antecipam declarações do IR

Número supera a média estadual de todos os tempos. De olho nesses contribuíntes, bancos abrem linhas de crédito específicas.

Bancos abrem crédito para quem for receber restituição do IR
com taxas de 1,57% a 4,44%
No segundo dia de entrega das declarações de Imposto de Renda (IR) em Goiás, mais de 26 mil goianos enviaram o documento para a Receita Federal. Segundo o supervisor do Imposto de Renda da Receita Federal em Goiânia, Jorge Martins, 4,5% das declarações entregues em todo o Brasil são de Goiás, enquanto em 2013 o índice foi de 3%. “Neste ano, os goianos entenderam que é melhor se adiantar”, destaca. De olho nesses contribuintes, as instituições bancárias privadas ou oficiais já oferecem linhas de crédito para quem for receber restituição do IR. A antecipação pode chegar a 100% do valor da restituição. As linhas de crédito têm juros convidativos, variam de 1,57% a 4,44% ao mês e chegam a ser mais baratas que o crédito consignado. Mas os especialistas em finanças pessoais adiantam que só vale contratar esse dinheiro se for para quitar uma dívida cujos juros são maiores.

Segundo o coordenador do curso de Contabilidade e Direito Tributário do Ipog, Edgar Madruga, a primeira avaliação que o contribuinte deve fazer antes pegar o empréstimo para quitar com a restituição do Imposto de Renda é se os juros da dívida que possui são maiores que os juros da linha que vai contratar. “É preciso fazer as contas e verificar os riscos que envolvem essa operação”, diz.

O professor apontou como principais riscos a incerteza da data para receber a restituição – pois, mesmo entregando a declaração nos primeiros dias, não há garantia que o dinheiro saia no primeiro lote. Se houver um erro na declaração tanto do contribuinte quanto das fontes pagadoras, além de correr o risco de cair na malha, o contribuinte terá de retificar a declaração, e esse processo pode ser demorado.

Todo empréstimo tem um custo. Além dos juros, o contribuinte tem de calcular o custo efetivo total da operação, que inclui todas as despesas que envolvem a contratação do crédito. No fim das contas, esse dinheiro pode sair bem mais caro do que você imaginava. O CET, assim como a cobrança do empréstimo, é pago no momento que a restituição cai na conta do contribuinte ou até o prazo combinado como limite para quitar o débito.

De acordo com Madruga, a antecipação do Imposto de Renda vale a pena no caso de troca de dívidas, uma mais cara por uma mais barata – como no cheque especial; para socorrer em caso de uma despesa urgente ou uma despesa de saúde. No caso de empréstimo para fins de consumo, ele explica que não compensa. “É melhor deixar o dinheiro quieto, pois ele é reajustado de acordo com a Selic, que aumentou no mês passado e está remunerando em 10,75% ao ano”, relata. Juros bem maiores que a poupança, que fechou 2013, com aumento de 6,3%, segundo as regras antigas e 5,8% pelas novas.

Karine Rodrigues

Fonte: O HOJE.

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