Pular para o conteúdo principal

Estados querem cobrar até 20% de imposto sobre imóvel herdado

Alíquota máxima hoje é de 8%. Reunidos em Brasília, secretários criticam governo federal

BRASÍLIA - Insatisfeitos com o governo federal, os estados decidiram reagir. Em reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), os secretários de Fazenda bateram o martelo e vão encaminhar ao Senado uma proposta de resolução que eleva a alíquota máxima do Imposto de Transmissão Causa Mortis (ITCD) — que incide sobre bens e imóveis doados ou recebidos como herança — de 8% para 20%. Essa é uma das medidas a serem adotadas para reforçar o caixa dos governadores num momento em que o Ministério da Fazenda fechou a torneira. Também está em estudo, embora ainda sem decisão final, propor ao Congresso a fixação de uma alíquota mínima de 18% para o ICMS que incide sobre a venda de diesel.

Os secretários fizeram duras críticas ao governo federal, especialmente por causa da decisão do Tesouro Nacional de suspender temporariamente a concessão de garantias para empréstimos dos estados. As reclamações foram apresentadas ao secretário-executivo-adjunto da Fazenda, Fabrício Dantas. Os representantes dos estados deixaram claro que acabou a lua de mel com o ministro Joaquim Levy. E que a reforma do ICMS já não é mais uma prioridade para os governadores.

— Para que fazer reforma do ICMS? Isso não muda as expectativas. O assunto agora é outro. Não estamos sentindo respaldo por parte do governo federal — disse a secretária de Fazenda de Goiás, Ana Carla Abrão.

O clima da reunião foi bem diferente do visto em abril, quando Levy foi a Goiânia presidir um encontro do Confaz para discutir a reforma tributária. À época, os estados mostraram disposição em apoiar o fim da guerra fiscal, a redução das alíquotas do ICMS e a convalidação dos incentivos concedidos sem o aval do Confaz. De lá para cá, o quadro econômico se deteriorou. O governo ainda não pagou tudo o que deve aos estados pela Lei Kandir e pelo Fundo de Apoio às Exportações (FEX) e ainda suspendeu as garantias para empréstimos, reduzindo as receitas dos entes regionais.

— A direção mudou. O vento bateu de forma diferente, e a relação está esgarçada — admitiu a secretária de Goiás. — Não estamos sentindo respaldo por parte do governo federal. Eles liberam R$ 5 bilhões de crédito subsidiado para o setor automotivo e não liberam os empréstimos represados. Não existe superação da crise econômica se não houver superação da crise dos estados.

'RIO DE LÁGRIMAS'

Na equipe econômica, a avaliação é que os estados estão muito insatisfeitos com a suspensão das garantias aos empréstimos. Mas o clima não foi considerado tão negativo. Entretanto, o secretário de Fazenda do Distrito Federal, Leonardo Mauricio Colombini, confirmou que o clima entre os representantes dos estados na reunião era de grande insatisfação:

— Foi um verdadeiro rio de lágrimas. As principais demandas foram em torno das operações de crédito que a União não libera e o repasse da União do Fundo de Participação dos Estados que só está caindo. Todo mundo está no sufoco. A receita não cresce e as despesas só aumentam.

O secretário do Sergipe, Jeferson Passos, destacou que, assim como a União, os estados estão com os cofres desequilibrados, com sérios problemas de arrecadação. Sergipe foi um dos estados que atrasou em dez dias o pagamento da parcela de julho da dívida com a União. O repasse, de R$ 12 milhões, deveria ter sido feito no primeiro dia útil e só ocorreu em 11 de agosto:

— O fato é que a arrecadação em termos reais está menor do que em 2014, tanto as transferências da União, quanto as próprias receitas tributárias do estado, e isso se traduz num risco.

POR MARTHA BECK E BÁRBARA NASCIMENTO

Fonte: O GLOBO

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fisco notifica empresas do Simples para buscar quase R$ 1 bi em tributos atrasados

Serão cobradas omissões de 2014 e 2015
A Secretaria da Receita Federal informou que vai notificar nesta semana, por meio da página do Simples Nacional na internet, 2.189 empresas inscritas no programa para quitarem quase R$ 1 bilhão em tributos devidos. O alerta é fruto de uma ação integrada com fiscos estaduais e municipais.
Segundo o subsecretário de Fiscalização da Receita Federal, Iágaro Martins, as empresas serão notificadas quando elas entrarem no site do Simples Nacional para gerar a guia de recolhimento do imposto devido, procedimento que elas têm de fazer todos os meses. Antes de conseguirem gerar a guia, serão informadas pelo órgão sobre as divergências.
As empresas do Simples notificadas terão até o fim de setembro para regularizarem sua situação. Se não o fizerem até lá, os fiscos federal, estaduais e municipais envolvidos na operação avaliarão o resultado do projeto e identificarão os casos indicados para "abertura de procedimentos fiscais" - nos quais são cobra…

Contabilidade Digital

Iniciamos 2017 com algumas mudanças no Lucro Real como a obrigatoriedade de apresentação de assinatura de 02 contadores na retificação (correção) de registros contábeis de anos anteriores já enviados á Receita Federal pela ECD – Escrituração contábil Digital, que nada mais é que a própria contabilidade digital (Balanço, DRE, Balancete). E ainda caso a contabilidade seja considerada imprestável pelo Fisco será tributada pelo Lucro Arbitrado onerando um adicional de 20% no cálculo do IRPJ, sendo contabilidade imprestável aquela cujos registros contábeis não retratam a realidade financeira e patrimonial da empresa.
Diante deste cenário, vimos orientá-los de obrigações legais que as empresas devem estar atentas de forma a diminuir o risco tributário e não sofrer com penalidades do Fisco. Estamos numa era digital, onde o Fisco investe em tecnologia da informação ao seu favor para aumentar a arrecadação, fiscalização e combate a sonegação, bem como falhas dos contribuintes nos controles da…

Tese de que contador não se beneficia com sonegação faz empresária ser condenada

Em casos de sonegação fiscal, quem se beneficia é o empresário, e não o contador que supostamente teria cometido um ato ilegal. Foi essa a linha seguida pelo Ministério Público em um caso que acabou com a condenação, determinada pela 25ª Vara Criminal de São Paulo, de uma sócia de distribuidora de cosméticos por sonegação de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Segundo a denúncia, entre os meses de março e dezembro de 2003 a acusada inseriu números inexatos em documentos exigidos pela lei fiscal, causando um prejuízo ao fisco de aproximadamente R$ 1 milhão.
O juiz Carlos Alberto Corrêa de Almeida Oliveira afirmou que caberia à empresária manter em ordem livros fiscais e demais documentos que demonstrem a lisura das informações prestadas à autoridade fiscal e, diante disso, condenou-a à pena de três anos de reclusão – com início no regime aberto – e pagamento de 15 dias-multa, no valor mínimo unitário legal, substituindo a pena privativa de liberdade por duas r…